Florianópolis - O Pedacinho de Terra no Meio do Mar

Era uma vez um pedacinho de terra perdido no mar. Pequenininho no mapa… mas gigante em beleza.

CURTINHAS

Era uma vez um pedacinho de terra perdido no mar.

Pequenininho no mapa…
mas gigante em beleza.

De longe, parecia apenas uma ilha cercada de azul.
De perto, era um mundo inteiro de encantos.

Diziam que a natureza, quando criou aquele lugar, resolveu caprichar.
Espalhou morros verdinhos como ondas de grama.
Desenhou praias douradas que brilhavam ao sol.
E pintou o céu com tons de rosa e laranja toda vez que o dia ia embora.

Era uma ilha faceira.

O vento brincava com os cabelos das crianças.
As gaivotas dançavam no ar.
E as casas coloridas sorriam para o mar.

Naquela ilha morava uma menina chamada Clara.

Clara gostava de caminhar devagar pelas ruas de pedra, sentindo o cheiro de pão quentinho que vinha das cozinhas e ouvindo as rendeiras conversarem enquanto seus bilros faziam tic-tic-tic, tecendo fios delicados como histórias antigas.

Perto da praça, havia uma figueira enorme e sábia.
Seu tronco largo parecia guardar segredos do tempo.
Clara adorava sentar ali nas tardes calmas, quando o vento soprava fagueiro, abrindo seu livrinho e fingindo que estava lendo para a árvore.

Mas o lugar preferido de Clara era a lagoa.

Ah… a lagoa.

De dia, era cristalina como espelho.
De tarde, refletia as nuvens preguiçosas.
E à noite…

À noite, ela virava poema.

A lua descia devagarinho pelo céu e se mirava na água, vaidosa e brilhante. Parecia ajeitar o próprio reflexo, como se fosse uma moça se arrumando para um baile.

Clara gostava de imaginar que a lagoa era o coração da ilha.
Calma.
Doce.
Cheia de ternura.

Certa noite, enquanto a lua se espelhava na água, Clara perguntou bem baixinho:

— Ilha, por que você é tão bonita?

O vento respondeu primeiro, soprando suave pelos seus cabelos.

Depois, as folhas da figueira balançaram.

E, por fim, a própria lagoa pareceu sussurrar:

— Porque aqui tudo vive em harmonia. O mar abraça a terra. O céu beija a água. E as pessoas cuidam do que amam.

Clara sorriu.

Entendeu que a beleza da ilha não estava só nas paisagens sem par…
mas no carinho das rendeiras, no riso das crianças correndo pela areia, no pescador que agradece ao mar antes de sair, e na lua que nunca esquece de se olhar na lagoa.

A ilha era pequena.

Mas dentro dela cabia o mundo inteiro.

E naquela noite, enquanto a brisa embalava as palmeiras e a lua brilhava dengosa sobre o cristal da lagoa, Clara fechou os olhos sentindo-se parte daquele pedacinho de terra perdido no mar.

Um lugar onde sempre haveria poesia.
Sempre haveria beleza.
E sempre haveria amor.

Agora imagine você também sentado sob a figueira…

Sinta o vento macio…
Ouça o mar bem longe…
Veja a lua se espelhando na lagoa…

E adormeça devagarinho, como quem descansa no colo da ilha.

Boa noite. 🌙💙